Atenção: a nova moeda que move o mundo

Economia da atenção

Vivemos num tempo em que quase tudo perde valor, menos o nosso tempo. Hoje, o que vale mesmo é aquilo que a gente olha. E é justamente por isso que a atenção virou moeda.

As empresas sabem disso. Cada segundo que passamos rolando uma tela, vendo um vídeo ou lendo um post tem preço.
Não parece, mas há um leilão acontecendo o tempo todo, em cada clique, cada deslizar do dedo. A disputa não é pelo seu dinheiro, é pela sua atenção. Porque onde a atenção vai, o dinheiro vai atrás.

A lógica por trás da economia da atenção

O conceito de economia da atenção explica exatamente isso: o valor que a nossa concentração tem dentro de um mercado cada vez mais barulhento. Em vez de vender produtos, muitas empresas vendem tempo de tela. E quanto mais tempo conseguem prender os nossos olhos, mais lucram.

Notificações, algoritmos, anúncios e feeds infinitos não são acidentes de design. Eles existem para capturar o que temos de mais escasso: o foco. Cada curtida, cada vídeo sugerido, cada “rolagem infinita” é uma tentativa de manter a gente dentro de um ciclo que alimenta esse modelo de negócio.

O foco que foi roubado

O jornalista e escritor Johann Hari fala sobre isso no livro Foco Roubado: por que você não consegue prestar atenção – e como pensar profundamente outra vez.
Ele mostra que a nossa dificuldade de focar não é um problema individual, mas o resultado de um sistema que lucra com a distração. Vivemos numa cultura que recompensa a pressa, o barulho e a dispersão. E quanto mais distraídos estamos, mais fácil é sermos influenciados  e vendidos como audiência.

Hari propõe que recuperar o foco é um ato de resistência. Significa escolher onde colocamos o nosso tempo e energia, em vez de deixar que escolham por nós.


Você pode encontrar o livro em português aqui:
👉 Foco Roubado – Johann Hari (Companhia das Letras)

A economia da atenção não é nova — só ficou mais afiada

Como lembra o biólogo e comunicador Átila Iamarino, no vídeo A economia da atenção, essa disputa não começou com as redes sociais.
Desde o rádio e a televisão, a atenção já era um bem precioso. O que mudou foi a forma como ela é medida e explorada.

Hoje, cada clique, pausa e segundo de rolagem são analisados para entender o que te prende por mais tempo. A publicidade de massa virou engenharia do foco, comandada por dados e inteligência artificial. A economia da atenção deixou de ser uma briga por audiência e se tornou uma guerra por segundos.

Mas a consequência é clara: quanto mais estímulo, menos espaço sobra para pensar. E se o foco é o novo ouro, talvez a grande revolução seja aprender a protegê-lo.

Atenção também é estratégia

Para nós, na Pitibiribá, a atenção é o bem mais precioso que existe. Quando uma marca conquista atenção de forma verdadeira, ela cria algo muito mais valioso que alcance: cria relação. E relação é o que sustenta qualquer marca no longo prazo.

Atenção não se compra com insistência. Se conquista com presença, com propósito e com comunicação que realmente importa. O que chama atenção passa. O que conecta fica.

Para refletir

Atenção é tempo. Tempo é vida. E talvez o maior desafio da nossa geração seja justamente decidir o que merece a nossa.


Referências

  • Hari, Johann. Foco Roubado: por que você não consegue prestar atenção – e como pensar profundamente outra vez. Companhia das Letras, 2022.
  • Iamarino, Átila. A economia da atenção (vídeo). Canal no YouTube, 2024.
  • Franck, Georg. “A Economia da Atenção: um novo capitalismo mental.” Sage Journals, 2019.
  • Revista Comunicações (Portugal). Na encruzilhada digital: economia da atenção e regulação de plataformas, 2023.
  • McKinsey & Company. Winning the battle for consumer attention, 2023.