Então, é Natal…
Mas o que ele ainda significa?
Todo ano é igual: luzes piscando, campanhas no ar, mesas cheias e a música da Simone ecoando em algum canto. Mas, no meio de tanta correria, dá pra se perguntar com sinceridade : então, é Natal mesmo?
Pra muita gente, dezembro virou sinônimo de pressa, de consumo e de “conteúdo temático”. As luzes acendem, os anúncios se multiplicam, mas a sensação de pausa, de aconchego e de encontro parece cada vez mais distante.
Quando foi a última vez que o Natal fez sentido de verdade, não só nas vitrines ou no feed, mas na vida real?
O Natal virou um produto
Antes, o Natal era quase um ritual: família reunida, conversas demoradas, comida feita com calma, tempo que passava devagar. Hoje, ele é também, e talvez principalmente , o auge do comércio e da publicidade.
Segundo dados da Consumer Exec, os gastos das marcas com campanhas natalinas devem ultrapassar £10,5 bilhões em 2024, um aumento de 7,8% em relação a 2022. É o período mais disputado do ano entre anunciantes, o que mostra como o Natal se transformou numa vitrine global de consumo.
O problema não é o comércio em si. É o quanto ele ocupa todos os espaços, das ruas aos feeds, até o ponto em que o “espírito natalino” vira um formato de campanha.
O Natal das redes sociais
Nas redes, o Natal virou imagem: a ceia, a árvore, o presente, o registro perfeito. A celebração virou conteúdo e, o “viver o momento”, foi substituído pelo “mostrar o momento”.
As redes não são o vilão, elas apenas amplificam o que a gente já faz: querer ser visto, validado, incluído. Mas talvez, entre um post e outro, a gente tenha esquecido o essencial, sentir o Natal de verdade.
O silêncio que falta
Quando foi a última vez que você parou, realmente parou, em dezembro?
O Natal costumava significar pausa, tempo, presença. Hoje, muitas vezes, ele simboliza correria, prazos e campanhas. O mês que nasceu pra ser de encontros virou o mais barulhento do ano.
Se o Natal é sobre presença, como vivê-lo num tempo em que tudo pede performance?
O que ainda pode fazer sentido
O Natal ainda pode ser bonito, mesmo com tanto barulho em volta. Talvez ele só precise de um ritmo diferente: menos pressa, menos vitrines, mais presença.
O sentido dessa data não está nas luzes ou nas fotos, mas no que acontece quando o ruído diminui, quando há espaço pra conversa, pra pausa e pra estar junto.
Uma ceia bonita nunca vai substituir uma boa companhia. E o melhor presente talvez não venha em uma caixa, mas no tempo que a gente decide oferecer a quem importa.
No fim das contas, talvez o Natal nunca tenha sido sobre o que compramos, mas sobre o que conseguimos sentir, mesmo quando tudo em volta grita pra seguir correndo.
📚 Fontes e leituras
- Consumer Exec – Christmas ad spend set to soar to £10.5 billion (2024).
- tvScientific – Holiday Advertising Trends 2024: what marketers need to know.
- Experian – Holiday Spending Trends and Insights 2024 Report




