Muitos brasileiros que chegam a Portugal se deparam com a mesma dúvida: vale mais a pena abrir uma empresa ou trabalhar como autônomo (trabalhador independente)?
Na teoria, a resposta parece simples. Mas na prática, cada escolha tem custos escondidos, burocracias e riscos que quase ninguém comenta. Esse guia rápido vai direto ao ponto.
O que significa ser autônomo em Portugal
- Autônomo = trabalhador independente. Você presta serviços ou vende produtos e emite o famoso “recibo verde”.
- É você quem abre a atividade nas Finanças, declara rendimentos no IRS, paga a Segurança Social e cuida da emissão de faturas.
- Existe a possibilidade de isenção de IVA se o faturamento anual for inferior a 13.500 € (2025). Isso facilita o início, mas pode limitar em contratos com empresas maiores.
Fontes: CGD – Obrigações do trabalhador independente (2025) | Idealista – Isenção de IVA (2024/2025)
O que significa ter uma empresa
- Pode ser Empresário em Nome Individual, Sociedade Unipessoal por Quotas ou Sociedade por Quotas (Lda.), entre outras formas jurídicas.
- Exige registro oficial, capital social (pode ser simbólico, a partir de 1 € em alguns casos) e contabilidade organizada.
- Os impostos mudam: em vez do IRS, a empresa paga IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas).
- A vantagem é que o patrimônio da empresa pode ficar separado do pessoal (dependendo da forma jurídica), trazendo mais segurança em casos de dívidas ou litígios.
Fonte: CRN Contabilidade – Regime fiscal para empresas em Portugal (2025) | InvoicExpress – Autônomo x Sociedade Unipessoal (2025)
O que ninguém te conta
Esses são os pontos que fazem diferença, mas quase não aparecem nos guias formais:
- Custos escondidos – contador, taxas municipais, licenças, seguros, traduções juramentadas.
- Risco dos “falsos recibos verdes” – se você trabalha para um só cliente com horário fixo, pode ser considerado vínculo empregatício e gerar problemas legais.
- Limite de crescimento – como autônomo, fica mais difícil contratar ou fechar contratos com grandes empresas.
- Tributação progressiva – dependendo do faturamento, o IRS pode pesar mais do que o IRC de uma empresa.
- Burocracia e tempo – mudar de regime, solicitar alvarás ou ajustar atividade pode ser lento e custoso.
Fonte: Atlantic Hub – Erros e acertos de empreendedores em Portugal (2025)
Quando escolher cada um?
| Situação | Caminho mais comum |
| Vai começar pequeno, com poucos clientes e sem estrutura | Autônomo (recibos verdes) |
| Pretende contratar equipe ou assumir investimentos maiores | Empresa (Unipessoal ou Lda.) |
| Quer mais proteção patrimonial e contratos com grandes empresas | Empresa |
| Quer simplicidade e custos iniciais menores | Autônomo |
Conclusão
Não existe resposta única entre ser autônomo ou abrir empresa em Portugal. A escolha depende do tipo de negócio, do quanto você pretende faturar e do nível de risco que está disposto a assumir.
O que pouca gente fala é que ambos os caminhos têm burocracia, impostos e custos que podem pesar. Por isso, antes de decidir, faça projeções financeiras e converse com um contador português. Às vezes, a decisão que parece mais simples pode sair mais cara no longo prazo.




