O conceito de luxo está mudando.
O que antes era sinônimo de status e ostentação, hoje tem a ver com bem-estar, tempo e equilíbrio.
O consumo que virou espetáculo
Durante décadas, o consumo no Brasil foi impulsionado pelo desejo de pertencimento.
Como explica o antropólogo Michel Alcoforado em entrevista à BBC News Brasil, “o brasileiro é obcecado por parecer rico”.
Mais do que adquirir um produto, o consumo se tornou um símbolo de status uma forma de demonstrar sucesso, mesmo que ele ainda não tenha sido conquistado.
Essa busca por reconhecimento atravessou gerações e se intensificou com a popularização das redes sociais, que transformaram o consumo em linguagem.
Postar um jantar em um restaurante badalado, uma viagem internacional ou um item de luxo deixou de ser apenas um registro e passou a representar um marcador social.
A estética do acesso
Michel Alcoforado chama esse fenômeno de “a estética do acesso” o comportamento de quem quer estar em lugares que simbolizam poder, mesmo que o acesso seja apenas aparente.
Segundo ele, as redes reforçaram essa lógica: o que importa não é viver a experiência, mas ser reconhecido por tê-la vivido.
Essa mentalidade, porém, vem mudando.
A mesma geração que ajudou a alimentar esse ciclo de ostentação agora demonstra sinais de cansaço.
Depois de anos de exposição, comparação e sobrecarga, cresce a vontade de se
O novo luxo
Na entrevista concedida à Forbes Brasil, Michel afirma que o conceito de luxo está mudando. O luxo material, baseado em exclusividade e ostentação, perde espaço para o luxo emocional pautado por bem-estar, tempo livre, saúde mental e equilíbrio.
Em vez de status, o novo símbolo de sucesso é a qualidade de vida. Ter tempo para si, conseguir descansar, recusar excessos e escolher o essencial são comportamentos que, antes vistos como simples, passaram a ser valorizados.
O impacto dessa mudança
A transformação no significado de luxo revela uma mudança mais profunda na forma como as pessoas se relacionam com o consumo. O valor deixa de estar no produto e passa a estar na experiência, na coerência e na responsabilidade.
Empresas e criadores de conteúdo precisam entender esse movimento: o público está mais atento, mais crítico e menos tolerante a discursos vazios.
Hoje, o consumidor não busca apenas o que comprar, mas com o que se identificar.
Ele quer saber o que uma marca representa, como ela atua e se o discurso combina com a prática.
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